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CANA-DE-AÇÚCAR

Wednesday, November 01st, 2006 | Author:

Nome científico Saccharum officinarum L.

Família Gramináceas
Sinonímia popular Cana
Sinonímia científica Saccharum edule HassK.
Parte usada Raíz, colmo, folha
Propriedades terapêuticas Galactogênica, antidiurético (infusão das folhas), diurético (decocção das raizes), hipotensor, antiparasitário
Princípios ativos Polissacarídeos pécticos, ligninas e ácidos fenólicos, ácidos p-coumárico, ferúlico e sinápico.
Indicações terapêuticas Distúrbios dos rins, fadiga, estômago, aumentar lactação, insônia, parasitas intestinais, anginas, úlceras da córnea, rachas dos seios, aftas, envenenamento, pneumonia, tuberculose, escarlatina, erisipela, cólera, febres, vômitos da gravidez

Informações complementares

Outros sinônimos científicos
Saccharum sinense Roxb.
Saccharum violaceum Tussac
Nome em outros idiomas
Alemão: Rohrzucker
Inglês: sugar-cane
Francês: canne à sucre
Sânscrito: Ikshava
Espanhol: caña de azúcar
Origem
Ásia, provavelmente Índia ou Polinésia.

Princípios ativos
Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-O-beta-glucosídeo acetato. Foi isolado também o policosanol, um álcool alifático com alto peso molecular, capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos.

O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana de fígado.

Além de hipocolesterolêmico, é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico.

Uso medicinal
É um alimento nutritivo e do qual não se perde partícula nenhuma, retardador da fadiga e fonte poderosa de energia, queimando-se parcialmente no sangue, matendo sempre a tensão muscular, sendo que os músculos em ação rejeitam qualquer outro alimento, dando-lhe preferência, mas não basta à alimentação humana, por faltar-lhe o nitrogênio.

Substância que excita a secreção das glândulas salivares e a atividade do estômago, todavia sua exagerada ingestão pode ter sérias consequências, tais como a constipação do ventre, as afecções das gengivas, a corrosão dos dentes, a ulceração da boca, assim como os embaraços gástricos e uma super-secreção do ácido úrico.

Na região amazônica, o suco do colmo da planta, duas vezes ao dia, é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia.

Na região da Mata Atlântica, a infusão das folhas é usada como antidiurético, ao passo que decocção das raízes é amplamente usada como diurético e contra hipotensão.

A decocção dos bulbos é usada contra distúrbios dos rins e para expulsão de parasitas intestinais.

Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil internamente contra resfriados e anginas e externamente, contra úlceras da córnea, rachas dos seios, aftas, envenenamento com arsênico, chumbo e cobre, além de o açúcar servir para combate à pneumonia, tuberculose, escarlatina, erisipela, cólera, febres, vômitos da gravidez.

Muito utilizado na indústria farmacêutica, o açúcar entra para corrigir e mascarar o sabor desagradável de certos medicamentos, que se administram em forma de xaropes, elixires, pastilhas, etc.

O mais simples dos xaropes se prepara somente com água e açúcar. Sua simplicidade se supera quando se usa água destilada. Se nesta água se encontram dissolvidas substâncias adequadas, resultam os xaropes medicinais. No lugar da água, pode-se preparar também com infusões e cozimentos de plantas, ou com suco de ervas e frutos, e neste caso o açúcar atua como conservador e evita que entrem em fermentação e se decomponham.

Dosagem indicada
Aumentar a lactação, tratar insônia
O suco do colmo da planta, duas vezes ao dia.

Diurético, hipotensor
Decocção de suas raízes.

Anti-diurético
Infusão das folhas

Distúrbios dos rins e combater parasitas
Decocção dos bulbos.

Um pouco de história
Os mais antigos livros sagrados dos Hindus já associam a planta à mitologia, podendo considerar-se a sua introdução na China como relativamente recente, talvez pouco antes da era cristã.

Quanto à expansão para o Ocidente, da planta e seus produtos, os dados históricos permitem estabelecê-la no IV século antes de Cristo, quando Alexandre, o Grande regressou da Índia,

Sabe-se que no século VIII da nossa era, quase todas as terras férteis do Egito estavam ocupadas pela cultura da cana. Os mouros, conquistando a Espanha, aí introduziram a cultura da cana.

Na Idade Média, a maior parte do açúcar era consumido na Europa, vinha do Oriente, sendo Veneza a monopolizadora desse comércio. Mas devido à guerra contra os Turcos, houve a extinção deste mercado famoso, anos antes do descobrimento do caminho marítimo para a Índia.

Tendo os portugueses implantado a cultura da cana na ilha da Madeira, em 1420, e os espanhóis também nesta época no arquipélago das Canárias, obteve-se em breve prazo a popularização do açúcar, tornando-o acessível até para as classes mais pobres, pois até então o produto era limitado aos hospitais, às casas dos ricos e aos boticários.

A descoberta da América, particularmente do Brasil, consolidaram a conquista, se considerarmos o formidável consumo atual do produto.

Certamente há no comércio açúcares provenientes de outras plantas e os quais são quotidianamente consumidos em extensas zonas, destacando-se entre eles o da beterraba, cuja produção também é enorme. Mas o açúcar de cana excede ainda em quantidade a todos os demais reunidos.

Os primeiros exemplares que chegaram ao Brasil, vieram da ilha da Madeira em 1502, de lá mesmo vieram outros, trinta anos depois, remetidos por Martim Afonso de Souza, para a sua capitania de São Vicente, no atual estado de São Paulo, de onde foi prontamente disseminada por todo o litoral do país, a tal ponto que, poucos anos mais tarde, em 1550, existiam numerosos engenhos que fabricavam açúcar superior ao da Índia, sendo este desenvolvimento industrial fortemente impulsionado pelos alvarás de 1559 e 1560, que isentaram os direitos a respectiva exportação.

As plantações de cana nos Estados do Norte, tornaram-se depressa as mais importantes do país, havendo razões para acreditar que Pernambuco em 1526, já exportava açúcar para Lisboa.

Em meados do século XVII, o Brasil havia se tornado o centro principal de produção de açúcar. Porém situação não se manteve, pois reduziu ano a ano sua produção devido a concorrência, cada vez maior, do açúcar produzido em numerosas colônias e que barateou demasiado os preços na Europa.

Ao cabo de 250 anos de cultura intensa, se reconheceu a imperiosa necessidade do melhoramento dos nossos canaviais, replantando-os com as variedades exóticas então mais reputadas. É assim que a primitiva cana, que ficou sendo chamada crioula ou Mirim, foi pouco a pouco sendo substituída pela Cayenna ou Bourbon, entrada no país por várias vias e vezes.

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